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Por Nathalia Henriques Fashion Content

O que aprendemos com o último desfile de Karl Lagerfeld

 

Entre suspiros, choros e críticas, a despedida de um dos mais icônicos estilistas do mundo, Karl Lagerfeld, nos ensinou um tanto. Com aproximadamente 70 anos de carreira (36 só à frente da label francesa), deixa um legado transformador e revigorante, além de uma disciplina incomparável, ensinada a todos que o cercavam. Não sou fã #1 do estilista, mas devo confessar que, há tempos, observo seu trabalho com outros olhos. Sou apaixonada por itens clássicos e daquela velha alfaiataria careta que conhecemos, sabe? Mas nenhum casaco de tweed tinha mexido com o meu coração até assistir ao último desfile assinado por ele. Ver o clássico modelo ganhando brilho e cor na catwalk no Grand Palais, em Paris, foi de arrepiar. Talvez pelo ar de já saudade que pairava por ali, talvez pelo luto da perda de um grande artista. Não sei. Aquilo que eu achava sem graça, volta a ter vida, atitude, motivo de sobra para Coco dar um pulo de onde quer que ela esteja. Fios de lurex brilhavam por lá, bolsos de shapes extras passaram a fazer parte de uma silhueta feminina, e cores vibrantes animaram alguns looks – quem diria, hein?

 

Notei também a forte presença do ‘diferente’, entre um look e outro. Modelagens acinturadas e superfemininas dividiam os holofotes com pantalonas amplas e casacos over - muitos dos looks desfilados no dia misturavam os dois mundos, o que para mim, foi incrível! Transparências marcavam presença em camisas e barrados, decotes profundos pontuavam silhuetas mais retas e o famoso e querido colar de voltas dava as caras, enfeitando golas altas e carecas. O tradicional Channel era evidente, mas o que mais chamava atenção era a forma como as peças eram interpretadas. O corte mais masculino de calças e blazeres combinavam perfeitamente com a gola vitoriana de camisas sobrepostas; o plaid queiridinho do estilista e também da criadora da maison desfilava com suavidade e amadurecimento em tons que iam do camel ao azul marinho, do preto ao cinza, e a it bag double flap em diferentes texturas e acabamentos, faziam as vezes de pochetes e handbags. 

 

A nova cara da Channel já tem nome e sobrenome, Virginie Viard, parceira de longa data de trabalho de Karl. Ela, que apareceu tímida no final do desfile, demonstrou respeito e condolências ao estilista. Lindo de ver. E vale ressaltar: Virginie será a primeira mulher a comandar a label, depois de Coco. O que o destino reserva para a marca? É enigmático para mim. O último suspiro e adeus de uma era inteira foi registrado e comovido por todos que amam moda. E mesmo que você acredite que nada possa mudar, veja com outros olhos: o fim da a Chanel de Karl Lagerfeld, planejado ou não, finaliza sua trajetora com a mensagem clara de que tudo pode mudar, até as mais tradicionais formas de beleza e sofisticação. 

LOOKS INSPIRADOS NO ÚLTIMO DESFILE